Eram quatro exumadores. Abriram a campa de mármore rosa e arrebentaram com martelos a placa de cimento que fechava a sepultura. O jazigo era dividido em dois por uma laje. Um dos coveiros entrou dentro do buraco aberto, com cuidado para não pisar nos restos do meu irmão, na parte superior. As roupas do meu irmão estavam em bom estado. Ele tinha bons dentes, os molares obturados com ouro. Quando a cabeça foi retirada o maxilar inferior se desprendeu do resto do crânio. O fêmur e a tíbia estavam mais ou menos inteiros; as costelas pareciam de papelão pardo.
Este conto está no livro O buraco na parede.






