Cronologia

1920

1923 - Nasce em 19 de abril, em São Paulo, Lygia de Azevedo Fagundes, quarta filha de Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim de Moura.

Acompanhando o pai, advogado que exercia as funções de promotor público e delegado, Lygia passa a infância em cidades do interior paulista: Sertãozinho, Apiaí, Descalvado, Areias e Itatinga.


1930

1931 - Influenciada pelas histórias que ouvia das empregadas de sua família, a menina recheia de imagens aterrorizantes as suas primeiras narrativas, escritas em cadernos escolares e contadas em casa.

1936 - Seus pais se separam, mas não se desquitam.

1938 - Numa edição financiada por seu pai e assinando Lygia Fagundes, lança seu primeiro livro, Porão e sobrado, com 12 contos. A escritora nunca mais autorizaria a republicação deste livro.

1939 - Conclui o curso fundamental no Instituto de Educação Caetano de Campos, em São Paulo.

1940

1940 - Começa a cursar a Escola Superior de Educação Física e o preparatório para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP).

1941 - Inicia o curso de Direito no Largo de São Francisco e conclui o de Educação Física. Participa de rodas literárias da faculdade em lugares como a Leiteria Itamarati, a Confeitaria Vienense e a Livraria Jaraguá. É apresentada a escritores como Oswald de Andrade e Mário de Andrade e conhece o crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes, com quem iria se casar mais de 20 anos depois. Fazendo parte da Academia de Letras da faculdade, colabora nos jornais acadêmicos Arcádia e O Libertador. Consegue emprego como funcionária da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

1945 - Seu pai morre num hotel na cidade de Jacareí, interior paulista.

No dia da formatura.

1946 - Forma-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.

1949 - Publica outro volume de contos, O cacto vermelho, pela editora Mérito. O livro conquista o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, mas também não voltaria a ser reeditado, embora alguns desses contos estejam incluídos em Antes do baile verde, de 1970.

1950

1950 - Primeiro casamento.

1952 - Volta a viver em São Paulo, onde começa a escrever seu primeiro romance, Ciranda de pedra.

1954 - Nasce, em São Paulo, Goffredo da Silva Telles Neto, seu filho. Sai pelas Edições O Cruzeiro Ciranda de pedra, que seria o marco de sua maturidade intelectual na opinião do crítico Antonio Candido.

1958 –  O livro Histórias do desencontro é lançado pela editora José Olympio e premiado pelo Instituto Nacional do Livro.

1960

1960 - Separa-se do marido.

1961 - É nomeada procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.

Com o filho, Goffredo

1963 - Publica seu segundo romance, Verão no aquário, pela editora Martins. Começa a viver com Paulo Emílio Salles Gomes num apartamento da Rua Sabará, em São Paulo.

1964 - Lança a coletânea de contos Histórias escolhidas, pela Martins, com prefácio de Paulo Rónai.

1965 - Ainda pela editora Martins publica o livro de contos O jardim selvagem.

1967 - Escreve, em parceria com Paulo Emílio Salles Gomes, um roteiro de cinema inspirado no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, a pedido do diretor Paulo Cezar Saraceni. O roteiro acabaria publicado apenas em 1993, sob o título Capitu, pela editora Siciliano.

1970

1970 - É publicado pela Bloch Antes do baile verde, seleção de contos escritos e publicados entre 1949 e 1969. O conto-título conquista, na França, o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros.

Saraceni, Isabela, namorada do cineasta, Paulo Emílio e Lygia

1973 - As meninas, seu terceiro romance, cujas primeiras linhas tinham sido escritas dez anos antes, é publicado pela editora José Olympio e recebe três prêmios: Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras; e o de Ficção, da Associação Paulista de Críticos de Arte. A apresentação do livro é de autoria de Paulo Emílio Salles Gomes.

1977 - Seminário dos ratos, livro de contos, é lançado pela José Olympio. Em setembro, morre Paulo Emílio. Lygia recebe como herança a causa do marido na luta pelo cinema nacional. Assume a presidência da Cinemateca Brasileira.

1978 - Sai pela editora Cultura o volume de contos Filhos pródigos, que a partir de 1991 passaria a se chamar A estrutura da bolha de sabão. Uma adaptação de seu conto “O jardim selvagem” é exibida no programa Caso especial, da Rede Globo.

Com Paulo Emílio, seu segundo marido, em 1976

 

1980

1980 - Lança A disciplina do amor, reunião do que classifica de “fragmentos” e que marca o início de um relacionamento de 17 anos com a editora Nova Fronteira.

1981 - Mistérios, coletânea de contos fantásticos, é publicada. Entre maio e novembro, a Rede Globo exibe Ciranda de pedra, novela baseada em sua obra homônima.

1982 - É eleita para a cadeira 28 da Academia Paulista de Letras.

1985 - É eleita para a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras no dia 24 de outubro, por 32 votos a 7, na vaga de Pedro Calmon.

Com Austregésilo de Athaide no dia da eleição

1987 - Toma posse na ABL em 12 de maio.

1989 - Lança seu quarto romance, As horas nuas.

1990

1990 - É tema do documentário Narrarte, dirigido por seu filho Goffredo e Paloma Rocha. O filme é premiado no Festival de Cinema de Gramado.

Com Goffredo e Paloma

1991 - Aposenta-se como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.

1993 - Adapta seu conto “O moço do saxofone”do livro Antes do baile verde, para a série Retratos de mulher, da Rede Globo, num episódio chamado “Era uma vez Valdete”.

1994 - Participa da Feira de Frankfurt.

1996 – Lança o livro de contos A noite escura e mais eu. As meninas chega ao cinema num filme de Emiliano Ribeiro, que assume o projeto de David Neves depois da morte do cineasta.

Tomando posse na ABL

1997 - A editora Rocco adquire os direitos de publicação de toda a sua obra, que chega em novas edições às livrarias.

1998 - Integra a delegação brasileira que vai ao Salão do Livro de Paris.

2000

2000 – Publica o livro Invenção e Memória.

Lygia e Caio Fernando Abreu em Frankfurt

2001 - Invenção e Memória recebe o Prêmio Jabuti, na categoria ficção, o Golfinho de Ouro e o Grande Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte. 

É agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB).

2002 – É lançado Durante aquele estranho chá: perdidos e achados, organizado durante dois anos pelo jornalista e estudioso da obra de Lygia Fagundes Telles, Suênio Campos de Lucena.  O livro conta um pouco mais da vida da escritora, surpreendendo, mais uma vez, pela leveza e extrema atualidade do seu texto. Em pequenos textos, a descrição de encontros e perfis memoráveis com escritores, como Simone de Beauvoir, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Hilda Hilst, Mário de Andrade (quando era apenas uma estudante de Direito de boina) e Clarice Lispector. Ganha destaque o tocante depoimento da escritora em torno do estudioso e crítico de cinema Paulo Emilio Salles Gomes, seu marido, falecido em 1977. 

2003 – O terceiro romance de Lygia Fagundes Telles, As Meninas, completa 30 anos e é tema de artigos e celebrações. A Secretaria de Estado da Educação comemora, na Sala São Paulo, a perenidade e atualidade do enredo inspirado no momento político por que passava o Brasil, além de relembrar outras incidências da obra de Lygia na cultural nacional.

Lygia Fagundes Telles torna-se nome de prêmio literário criado pelo governo do Estado de São Paulo, que a homenageia pelo conjunto de sua obra com uma grande festa em 29 de setembro.

2004 – Publica a antologia Meus contos preferidos, reunindo 31 textos que misturam épocas, estilos e temas. E lança também o livro Histórias de mistério, coletânea organizada pela jornalista Rosa Amanda Strausz que enfatiza o poder que tem a imaginação, em textos literários, de mergulhar no desconhecido.

2005 - Recebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa, no valor de € 100 mil. Entre os brasileiros laureados, estão João Cabral do Melo Neto, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Antonio Candido, Autran Dourado, Rubem Fonseca e Ferreira Gullar.

Lança Meus contos esquecidos, depois que leitores se queixam da ausência de textos importantes na antologia publicada no ano anterior.

2006 – Morre seu filho, Goldofedro da Silva Telles Neto.

2007 – Publica Conspiração de nuvens, reunindo contos de ficção inéditos e reminiscências da infância, relatos de viagens, crônicas sobre a cidade de São Paulo e perfis de intelectuais brasileiros com quem conviveu.

2008 - Após sete anos na editora Rocco, a obra literária de Lygia Fagundes Telles passa para a Companhia das Letras.  O editor Luís Schwarcz contratou Alberto da Costa e Silva e Antônio Dimas como consultores editoriais e coordenadores da reedição.

2009 – O romance As Meninas é adaptado para o teatro por iniciativa da atriz Clarissa Rockenbach. A versão teatral foi dirigida por Yara de Novaes, com adaptação de Maria Adelaide Amaral.

2010 – É a homenageada da 5ª edição da Balada Literária, evento literário em São Paulo, organizado pelo escritor Marcelino Freire.

2011 – Comemoração dos 88 anos, dia 19 de abril, com homenagens realizadas por diversas instituições, universidades e órgãos de imprensa. A Cinemateca Brasileira programou 21 dias de filmes dedicados a ela, numa mostra na capital paulista. Foram exibidos filmes adaptados de seus romances, como As Meninas (1996), de Emiliano Ribeiro, e As Três Mortes de Solano (1976), de Roberto Santos, baseado no conto “A Caçada”, e o italiano Le Ore Nude (1965), de Mario Vicano, que dialoga com  As Horas Nuas, escrito por Lygia em 1989. Também foram exibidos dois documentários raros a respeito da escritora, Narrarte, curta-metragem dirigido por seu falecido filho Goffredo Telles Neto em 1990, e Lygia Por Lygia, dirigido por Paulo Markun e Ricardo Elias. Além de filmes que a própria Lygia selecionou por terem marcado sua vida, caso de O Atalante (1934), de Jean Vigo, O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, O Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci, Morte em Veneza (1971), de Luchino Visconti, Cidadão Kane (1941), de Orson Welles, e A Doce Vida (1960), de Federico Fellini.

Publica Passaporte para a China, reunião de 29 crônicas, que formam um instrutivo, comovente e divertido diário de bordo, ambientado em várias cidades.  Embora não se considerasse comunista, Lygia Fagundes Telles foi incluída no grupo brasileiro que participou da festa do 11º aniversário do socialismo chinês, e recebeu a proposta de enviar relatos da viagem para o jornal Última Hora.