- Aleluia!
Tive vontade de agarrá-la num abraço e atirá-la no ar tã porosa,
tão leve, os panos abertos em asas, adeus, Ifigênia! Estou subindo
longe, nuvens, estrêlas, já estou além dos astros! Solidão, solidão, ai!
que aqui faz frio. Mas tem Deus, não tem Deus, hem, minha irmãzinha?
Se tem Deus não tem solidão, é música, é calor, é afago, mão
passando de leve na carinha que nem existe em corpo nem velhice
nem infância, só Deus. Só o Deusinho, boa noite, Bula. Boa noite.
– Estou apaixonada, irmã.
– Resfriada?
– Também – respondi tirando o lenço do bolso do pijama. Ela é
surda como uma porta, a gente precisa falar num tom acima do
normal, o que é meio cansativo. Além do mais, na maioria das vezes
as palavras lhe entram por um ouvido e saem pelo outro como uma
revoada de andorinhas. Enfim, a companhia ideal. Pisquei-lhe o ôlho e
ela sorriu, os dentões de porcelana rosada exibindo-se na plenitude.
“Ser feliz é viver na plenitude o momento presente”, disse um padre
velhinho com uma expressão de quem era feliz em todos os seus
momentos.
Veja outro fragmento escrito por Lygia:






