Esta seção é o lugar para se saber um pouco mais sobre os artistas gaúchos que brilham no Sul, mas nem sempre são conhecidos no resto do Brasil. Os nomes incluídos nesta Cena Gaúcha são indicados por Verissimo.
Mário Marcos de Souza
Jornalismo, futebol e crônica. Este meio-campo Luis Fernando Verissimo conhece bem, e por isso conjuga autoridade com prazer na hora de indicar para a Cena Gaúcha um nome que trafega com facilidade pelas três posições.
Mário Marcos de Souza é o titular da coluna “Bola Dividida”, do jornal gaúcho “Zero Hora”, área em que publica notas sobre futebol ao longo da semana e crônicas aos sábados. A qualidade de suas crônicas tem chamado a atenção já há um bom tempo de Verissimo e muitos outros leitores, dando um brilho a mais numa carreira jornalística que conta com vários prêmios, a cobertura in loco de duas Copas do Mundo (1978 e 1998) – além de todas as demais (a partir de 1970) da redação – e a passagem por “Jornal da Tarde”, “O Estado de S. Paulo”, “Veja”, “Placar” e outras publicações.
Nascido em Criciúma (SC) em 1948, Mário Marcos trabalha no jornalismo gaúcho desde 1970, quando estagiou na “Folha da Tarde”. Ele lembra que, em seus tempos de iniciante, percebia nos mais velhos o desejo de se arrancar do jornalismo esportivo o rótulo de editoria menor, dando-lhe a devida importância. “Mário Vargas Llosa, por exemplo, recomenda aos jovens escritores que diante das dúvidas leiam crônicas sobre futebol como aprendizado. ‘A área de esportes constitui uma modalidade de literatura contemporânea que cria mitologia e dá uma dimensão mágica à experiência humana’, escreve ele. O Eduardo Galeano também destaca este lado e até tem um livro só sobre histórias do futebol”, ressalta Mário Marcos.
Sua admiração por Armando Nogueira passa por essa importância que o esporte merece ter. Mas ele não filia seu estilo ao do de Armando: “Minha linha é bem diferente da dele, até porque não tenho o seu talento poético. O Armando é uma espécie de ícone na nossa classe. Acho que ele dignifica a profissão e ajuda, com seus textos, a tirar um pouco do preconceito que ainda hoje faz com que certa intelectualidade olhe com má vontade para nós, cronistas esportivos.” Nas suas crônicas de sábado, Mário Marcos procura não se restringir às quatro linhas do futebol. Explora outras temas, conectando o esporte ao mundo à volta: “O que costumo fazer é usar o esporte para remeter a um livro, a uma história, a um fato qualquer. Parto da idéia de que a gente tem responsabilidade sobre a formação dos leitores e, portanto, toda contribuição que possa dar será importante. Quando escrevo sobre o filme “Seabiscuit”, por exemplo, lembro a fase de depressão dos Estados Unidos (período da história do cavalo) para contar como era o país naquela época, como agia o Roosevelt e sua mulher, como eles saíram da crise. Se escrevo a respeito de uma bomba achada no estádio de Munique, lembro a tragédia que seria, nestes tempos loucos, se a bomba explodisse matando torcedores. A quem jogariam a culpa e o que seria feito depois disso? Invasões de países, perseguições etc. Se vejo o estádio de Kandahar limpo, falo do tempo da ditadura chilena e do que ocorreu lá. Tenho liberdade total.”
Leia crônicas de Mário Marcos de Souza:






